Brasil, a Bovespa acumula desvalorizações consecutivas de 10% e 8%, em junho e julho, respectivamente, registrando altas somente em fevereiro, abril e maio. De um momento para o outro se passou a especular que o mercado acionário seria um péssimo investimento, um “mico”. Mas é preciso avaliar com muito cuidado o panorama atual, afinal, quem conhece o mercado de ações sabe que, em se tratando delas, momentos turbulentos podem
significar oportunidades no longo prazo.
O primeiro passo é entender que a crise no mercado acionário não se criou sozinha. Faz parte de problemas que atingem o mercado econômico global, e que refletem os efeitos da crise dos subprime (relacionada ao crédito imobiliário) nos Estados Unidos, e o aumento da demanda por commodities, relacionada ao crescimento estrondoso da China. Não tem ligação com os fundamentos do mercado em si, que continuam bastante sólidos.
“As implicações para os Estados Unidos repercutiram em todo o mundo, e para auxiliar a economia norte-americana, o FED criou linhas de redesconto e auxílio da liquidez. A previsão é de desaceleração da economia, relacionado a um dólar mais baixo e a um aumento nos preços das commodities”, explicou o economista-chefe para a América Latina do Banco Real, Alexandre Schwartsman, em palestra realizada esta semana na Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).
No País, um cenário de alta concessão de crédito, aliado à oferta menor que a demanda de commodities, e ao aumento da inflação, fez com que o governo subisse os juros (Desde abril eles aumentaram 1,75%, para 13% ao ano) e tornou os investimentos em renda fixa os preferidos neste momento em que todo mundo quer maior rentabilidade e menor risco. Isso por si só já gera fuga de capital do mercado acionário.
Segundo o economista e professor das Faculdades Integradas Rio Branco, Luiz Antonio Fernandes da Silva, ainda é provável que o mercado enfrente turbulências no segundo semestre, mas deve se tratar de algo passageiro. “A queda da Bolsa no Brasil é influenciada principalmente por fatores externos. Muito aplicador estrangeiro que precisa de recursos vende os papéis a qualquer preço, mas os indicadores econômicos apontam uma recuperação”, avalia.
Oscilações são naturais em renda variável
Se levados em conta os rendimentos de diversos investimentos por um período nem tão longo assim, digamos, em 12 meses, notamos que de julho de 2007 a junho de 2008, quem investiu em ações ordinárias da Petrobras ou da Cia Siderúrgica Nacional viu os papéis registrarem lucratividade nominal de 96% e 124%, respectivamente, segundo a Bovespa. São exemplos de ações que constam entre as mais lucrativas da Bolsa no mesmo período, quem deixou o dinheiro na poupança viu o saldo subir cerca de 6%, e quem investiu em fundos atrelados ao CDI, acumulou percentuais que não chegam a 12%. São estas disparidades que dão o tom ao mercado de ações.
Ações mais lucrativas julho de 2007 a julho de 2008

Fonte: Bovespa
É preciso lembrar que ações pertencem ao segmento de renda variável exatamente porque, como diz o nome, estão sujeitas a diversas variações nos preços e, em geral, os ganhos estão diretamente relacionados ao risco. Mas quem pensa no longo prazo encontra perspectivas bastante positivas, especialmente quando opta por investir em papéis de empresas sólidas, com bons fundamentos. “Acredito que para o longo prazo, as ações continuam sendo ótimas opções de rentabilidade”, afirma Silva, das Faculdades Integradas Rio Branco.
“É uma oportunidade para quem quer entrar na Bolsa, aproveitando os preços baixos de diversas ações. Mas é preciso verificar se o perfil do investidor é realmente voltado ao futuro, se ele não vai precisar do capital investido logo, e se ele está utilizando as ferramentas corretas para se precaver contra grandes riscos”, avalia o diretor de Marketing da Wintrade, Roberto Lee.
Desempenho do Bovespa nos últimos anos

Fonte: Bovespa
Bons achados – Empresas sólidas X Ações em baixa: esta geralmente é a receita para bons negócios. A queda acentuada da Bovespa nos últimos meses faz com que papéis de empresas com bons fundamentos e perspectivas ainda melhores estejam bastante desvalorizados. Se para quem já entrou na Bolsa, o rumo a tomar deve levar em conta uma série de pontos, para quem ainda pensa em entrar pode ser uma oportunidade de obter rendimentos muito favoráveis quando o cenário econômico melhorar. Mais uma vez a visão precisa ser de longo prazo e, no lugar de ficar de braços cruzados, o investidor que entra ou que já está no mercado de ações, precisa conhecer as posições que pode tomar para se precaver e agir. A seguir, você confere um pouco mais sobre o tema.